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Flurxo

NBR 15270

Bloco cerâmico na entrega

A norma dá números exatos e um critério de aceitação com contagem. Quase ninguém usa, e é a única chance de recusar material ruim antes de ele virar parede.

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Bloco cerâmico de vedação tem seis requisitos numéricos na NBR 15270-1, e todos podem ser conferidos com trena, esquadro e uma régua. Tolerância de mais ou menos 3 mm na média das dimensões. Septo de no mínimo 6 mm e parede externa de no mínimo 7 mm. Desvio de esquadro de no máximo 3 mm. Flecha de no máximo 3 mm. Resistência à compressão de no mínimo 1,5 MPa com furos na horizontal e 3,0 MPa com furos na vertical. Absorção de água entre 8 % e 22 %. Os quatro primeiros se medem na obra; os dois últimos exigem laboratório.

Quantos blocos comprar sai da calculadora de tijolos, que trabalha pelo módulo em vez de dividir área por área.

O que dá para medir na obra

Dimensões, esquadro, planeza e espessura de parede. A tolerância dimensional de 3 mm é sobre a média das dimensões efetivas da amostra, não sobre cada peça, então a conferência correta é medir vários blocos e tirar a média. O desvio de esquadro e a flecha, ao contrário, são limites individuais de 3 mm.

Grandeza Bloco de vedação Bloco estrutural
Tolerância na média das dimensões ± 3 mm ± 3 mm
Espessura mínima do septo 6 mm 8 mm
Espessura mínima da parede externa 7 mm 8 mm, ou 20 mm se maciça
Desvio em relação ao esquadro até 3 mm até 3 mm
Planeza das faces, ou flecha até 3 mm até 3 mm
Resistência à compressão 1,5 ou 3,0 MPa a partir de 3,0 MPa
Índice de absorção de água 8 % a 22 % 8 % a 22 %

O esquadro e a flecha são os que decidem o consumo de argamassa de revestimento. Bloco torto e bloco barrigudo obrigam o pedreiro a corrigir tudo no emboço, e a pesquisa da Poli/USP mediu revestimento interno 43 % mais espesso que o especificado na mediana das obras, com máximo de 134 %. O material extra que some ali nunca aparece como perda visível: ele foi todo para a parede.

Como medir a flecha sem instrumento. Apoie um fio esticado ou o fio de uma régua metálica na diagonal da face e meça o vão máximo entre o fio e a face. Três milímetros é o teto. O desvio de esquadro se mede encostando um esquadro na quina e medindo a abertura na ponta oposta. Nenhum dos dois exige laboratório.

Como a norma manda aceitar ou rejeitar o lote

Com contagem. Na inspeção geral, o lote de fornecimento é de até 100.000 blocos e a amostragem é de 13 blocos. Até 2 unidades não conformes, aceita. A partir de 5, rejeita. Entre 3 e 4, exige segunda amostragem de mais 13 blocos, e aí o critério passa a ser aceitar com até 6 não conformes acumuladas e rejeitar a partir de 7.

Existe uma regra mais dura para as características do item 4.2, que é a identificação do bloco. O não atendimento em qualquer corpo de prova é suficiente para a rejeição do lote inteiro. A identificação inclui a marcação obrigatória do fabricante e das dimensões, e é o item mais fácil de conferir de todos.

E há uma saída negociada, prevista pela própria norma: em caso de rejeição, mediante acordo entre fabricante e comprador, pode-se inspecionar todos os blocos do lote, comprometendo-se o fabricante a repor todos os não conformes. Vale conhecer essa alternativa antes de aceitar uma carga ruim por não ter como devolver.

A quebra que não é do fabricante

A pesquisa da Poli/USP mediu mediana de apenas 0,3 % de blocos quebrados no recebimento, com máximo de 22 % em uma obra. A distância entre a mediana e o máximo é a descarga. Bloco que chega inteiro e quebra sendo jogado do caminhão não é problema de qualidade da peça.

A mesma pesquisa mediu mediana de 13 % de blocos cortados na alvenaria, com variação de 0 % a 34 % entre obras. Essa é a perda que depende do projeto, não do material: ela cai quando as medidas da parede fecham no módulo do bloco. Bloco de 39 cm com junta de 1 cm fecha módulo de 40 cm, e uma parede de 3,20 m cai redonda em oito blocos por fiada.

Os percentuais de compra por material estão em perda de material em obra, com a procedência de cada número.

Como o bloco estrutural é ensaiado

Por resistência característica, não por resistência individual. A NBR 15270-2 manda ordenar os valores individuais em ordem crescente, aplicar uma fórmula sobre a metade inferior da amostra e comparar o resultado com a média e com o menor valor multiplicado por um coeficiente tabelado, que depende da quantidade de blocos ensaiados.

Esse coeficiente vai de 0,89 com 6 blocos a 1,04 com 18 ou mais, e a norma recomenda adotar pelo menos 13. O detalhe importa na hora de ler um laudo: uma amostra pequena penaliza o resultado, e um relatório com 6 blocos entrega um fbk menor do que o mesmo lote entregaria com 13. Não é o bloco que ficou pior, é a amostra que ficou pequena.

Vale entender o que o número significa. Resistência característica é o valor abaixo do qual pouquíssimas peças caem, não a média. Comprar bloco de 3,0 MPa não significa que todo bloco suporta 3,0 MPa: significa que o lote, estatisticamente, cumpre esse piso. A diferença entre parede de vedação e parede estrutural está em parede de vedação ou estrutural.

O armazenamento que muda o resultado

A absorção de água permitida vai de 8 % a 22 % da massa seca. Um bloco encharcado no canteiro chega saturado ao assentamento e não puxa água da argamassa, que é justamente o mecanismo que ancora a pasta nos poros da cerâmica. Bloco seco demais faz o oposto: rouba água rápido demais e a argamassa perde trabalhabilidade antes de o pedreiro nivelar.

A prática que funciona é armazenar coberto e sobre estrado, e umedecer levemente o bloco antes de assentar quando ele estiver muito seco, sem encharcar. É um detalhe que não aparece em orçamento e que decide a aderência da junta.

Até onde esta página vai

Os requisitos aqui são das partes 1 e 2 da NBR 15270 na edição de 2005, que lemos, e a família foi revisada em 2017 com reorganização das partes. Números de edições posteriores que não conferimos na fonte não aparecem aqui. Bloco de concreto segue a NBR 6136, com outra classificação e outras tolerâncias. Ensaio de resistência e de absorção exige laboratório acreditado, e a inspeção por ensaios com valor contratual é serviço de terceiro, não conferência de obra.

Perguntas frequentes

Qual a tolerância de medida de um bloco cerâmico?
Mais ou menos 3 mm na média das dimensões efetivas de largura, altura e comprimento, pela Tabela 3 da NBR 15270-1. É uma tolerância sobre a média da amostra, não sobre a peça individual, o que muda o modo de conferir.
Qual a resistência mínima do bloco de vedação?
Um vírgula cinco megapascal para blocos usados com furos na horizontal e 3,0 MPa com furos na vertical, calculada na área bruta. O bloco estrutural começa em 3,0 MPa de resistência característica, pela NBR 15270-2.
Quantos blocos precisam ser ensaiados?
Treze corpos de prova para as características geométricas e para a resistência à compressão, e seis para o índice de absorção de água. A inspeção geral usa 13 blocos na primeira amostragem e mais 13 na segunda, quando ela é necessária.
Posso recusar a carga de blocos na entrega?
A norma prevê critério numérico. Na inspeção geral de características visuais, o lote é aceito com até 2 unidades não conformes em 13, exige segunda amostragem entre 3 e 4, e é rejeitado a partir de 5. Na segunda amostragem, aceita-se até 6 não conformes acumuladas e rejeita-se a partir de 7.
Bloco molhado na chuva perde resistência?
O ensaio de absorção existe justamente porque a cerâmica absorve água, entre 8 % e 22 % da massa seca pela norma. Bloco encharcado na hora do assentamento rouba água da argamassa e prejudica a aderência, e por isso o armazenamento coberto importa mais do que parece.

A conta que este texto acompanha

Tijolos e blocos Peças por m² de parede e volume de argamassa de assentamento.

Fontes