Medição
Sete erros de medição que estouram o orçamento
A medida que a trena tira nem sempre é a medida que o material consome. Sete casos em que essa diferença vira falta no meio do serviço.
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Erro de medição não aparece na hora de medir. Aparece na última fiada do telhado, na meia caixa de porcelanato que falta e sai de outro lote, no corredor que não recebe a rampa depois de pronta. Os sete casos abaixo têm a mesma raiz: a medida tirada com a trena não é a medida que o material consome. A diferença costuma ficar entre 4 % e 8 %, grande o bastante para faltar material e pequena o bastante para ninguém desconfiar antes do pedido.
Quais erros de medição fazem faltar material?
Os que trocam uma medida por outra parecida. Comprimento inclinado no lugar da projeção horizontal, área da planta no lugar da área do telhado, dimensão nominal do bloco no lugar da dimensão de fabricação, largura total da telha no lugar da largura útil. Nenhum produz erro grosseiro, e é por isso que passam pela conferência.
| Erro | O que ele faz | No exemplo desta página |
|---|---|---|
| Medir a rampa com a trena por cima dela | Inclinação sai menor que a real | 8,33 % viram 8,36 % |
| Comprar telha pela área da planta | Falta telha nas últimas fiadas | 3,52 m² a menos em 80 m² |
| Contar um piso por degrau | Projeção maior que a real | 4,64 m no lugar de 4,35 m |
| Medir o cômodo em um ponto só | Recorte cresce ao longo da parede | canto de 91,7° |
| Descontar o vão e esquecer o teto | Falta tinta na segunda demão | 45 % de área a mais |
| Comprar papel de parede por m² | Falta rolo, e o que sobra é ponta morta | 2 rolos no lugar de 3 |
| Pedir bloco pela medida do anúncio | Faltam peças na última fiada | 244 no lugar de 263 |
1. A rampa medida por cima da própria rampa
O item 6.6.2 da NBR 9050 divide o desnível pelo comprimento da projeção horizontal, que é a medida no chão, vista de cima. Quem sobe na rampa pronta e estica a trena sobre ela mede a hipotenusa, sempre maior, e encontra uma inclinação menor que a real.
Uma rampa vence 60 cm e a trena esticada por cima marca 7,20 m. A projeção real é a raiz de 7,20² menos 0,60², ou seja 7,17 m, o que dá 8,36 % de inclinação em vez de 8,33 %. Três centésimos de ponto percentual mudam a rampa de tabela: ela sai da Tabela 4, que vale para obra nova, e cai na Tabela 5, onde cada segmento vence no máximo 20 cm. Os 60 cm viram três segmentos com dois patamares de 1,20 m, e o espaço necessário sobe de 9,60 m para 11,97 m. A calculadora de rampa devolve os dois números e diz em qual faixa da norma o resultado caiu.
2. A telha comprada pela área do desenho
A planta mostra a projeção do telhado, não o telhado. A superfície inclinada é maior, e o fator que separa as duas depende só da inclinação. Um telhado de 10,00 m por 8,00 m tem 80 m² no desenho e 83,52 m² de telha a 30 % de caimento. São 3,52 m² que não estão no papel.
| Inclinação | Fator sobre a projeção | Área a mais que a planta |
|---|---|---|
| 10 % | 1,005 | 0,5 % |
| 20 % | 1,020 | 2,0 % |
| 30 % | 1,044 | 4,4 % |
| 40 % | 1,077 | 7,7 % |
| 50 % | 1,118 | 11,8 % |
O mesmo telhado carrega um segundo desconto, esse impresso no catálogo. A ondulada de fibrocimento da Brasilit tem largura total de 1.100 mm e largura útil de 1.050 mm, porque 50 mm ficam sob a telha vizinha. Numa água de 12,00 m, dividir pela medida total dá 11 telhas por fiada e dividir pela útil dá 12. O recobrimento longitudinal come o comprimento pelo mesmo motivo, de 140 mm a 250 mm conforme a inclinação. A calculadora de telhas trabalha com a área inclinada, e a de inclinação de telhado converte porcentagem e graus para conferir contra o mínimo do fabricante.
3. Um piso a mais na projeção da escada
Uma escada de 16 degraus tem 16 espelhos e 15 pisos. O último espelho desemboca no piso do pavimento de cima, que já existe e não é degrau. Multiplicar degraus por largura de piso conta uma vez a mais.
Um desnível de 280 cm em 16 degraus dá espelho de 17,5 cm e piso de 29 cm, dentro das três condições que o item 6.8.2 impõe ao mesmo tempo: espelho de 16 a 18 cm, piso de 28 a 32 cm e a soma de um piso mais dois espelhos entre 63 e 65 cm. A projeção é 15 vezes 29 cm, ou 4,35 m. Com 16 pisos daria 4,64 m. Esses 29 cm decidem se a escada cabe no vão disponível, e costumam levar alguém a redesenhar a escada inteira sem precisar. Na obra o erro aparece invertido: quem marca 16 pisos no contrapiso empurra o último degrau para dentro do pavimento de cima. O cálculo de escada devolve a projeção já com o piso a menos.
4. O cômodo medido em um ponto só
Parede de casa antiga raramente é paralela à da frente. Uma medida por lado esconde isso, duas diagonais entregam na hora. Num cômodo de 4,50 m por 3,20 m, a diagonal de um retângulo perfeito seria 5,52 m. Se a trena marcar 5,60 m, o canto tem 91,7° e não 90°.
A área quase não muda: 14,39 m² contra 14,40 m². O estrago está no assentamento, porque a primeira fiada encosta na parede em um canto e vai abrindo até o outro, e o recorte cresce ao longo do percurso. A segunda metade do mesmo erro é medir pela face do rodapé. O piso é assentado antes e corre por baixo dele, de parede a parede. Neste cômodo, de 15,40 m de perímetro, cada centímetro de rodapé apaga 0,15 m² da conta, e um rodapé de 15 mm apaga 0,23 m². É quase toda a reserva de 0,27 m² que sobra depois dos 10 % da Portobello. Confira as duas diagonais na calculadora de metro quadrado antes de levar a área para a calculadora de piso.
5. O desconto de aberturas feito nos dois sentidos errados
Na pintura o vão desconta e a mocheta devolve. Uma sala de 5,00 m por 4,00 m com pé-direito de 2,70 m tem 48,60 m² de parede. Descontando uma porta de 0,80 m por 2,10 m e duas janelas de 1,20 m por 1,20 m, saem 4,56 m². Só que a parede tem 15 cm de espessura e as laterais de cada vão também recebem tinta: o contorno da porta soma 5,00 m e devolve 0,75 m², e cada janela devolve 0,72 m². São 2,19 m² de volta, quase metade do desconto.
O erro maior na mesma conta é de sinal contrário. Perímetro vezes pé-direito cobre as paredes e deixa o teto de fora, e o teto dessa sala tem 20 m². A área a pintar sai de 44,04 m² para 64,04 m², 45 % a mais. Com o rendimento padrão da calculadora de tinta, de 14,4 m² por litro por demão, o pedido passa de 6,1 L para 8,9 L, ou seja três galões de 3,6 L em vez de dois.
6. O papel de parede comprado por metro quadrado
Papel de parede não é vendido por área, é vendido por faixa, e o pedaço que sobra na ponta do rolo não vira faixa nova. Uma parede de 4,00 m por 2,60 m tem 10,40 m², e o rolo Bobinex de 0,52 m por 10 m cobre cerca de 5,20 m². Dividir área por área dá dois rolos. A conta por faixa dá três: são 8 faixas de 2,70 m, contando 10 cm de folga de corte, e cada rolo rende 3 faixas e deixa 1,90 m de ponta morta.
O rapport agrava. A A.S. Création instrui a dividir o comprimento da faixa pelo rapport e arredondar para cima, porque toda faixa precisa começar no mesmo ponto do desenho. Numa parede de 3,20 m de altura, a faixa de 3,30 m passa a ser cortada com 3,84 m para fechar seis repetições de 64 cm, o rolo que rendia 3 faixas passa a render 2, e o pedido vai de 3 para 4 rolos. Janela no meio da parede não desconta faixa nenhuma. A calculadora de papel de parede trabalha por faixa.
7. O bloco pedido pela medida do anúncio
O bloco anunciado como 20 x 40 sai da olaria com 19 x 39. A medida do anúncio é modular, e a peça é fabricada com o módulo menos 1 cm justamente para que a junta de 1 cm feche a diferença. O catálogo da Pauluzzi lista blocos de 14x19x29 e 19x19x29, e nenhum de 15x20x30.
Quem soma a junta a uma medida que já é modular monta um módulo de 41 cm por 21 cm e chega a 11,61 peças por metro quadrado. O módulo correto, de 40 cm por 20 cm, dá 12,50. Em 20 m² de parede com 5 % de perda, são 244 peças contra 263: faltam 19 blocos, e a falta aparece na última fiada, quando o caminhão já foi embora. A calculadora de tijolos parte da dimensão de fabricação e avisa quando o número digitado é modular.
Como conferir a medida antes de fechar o pedido?
Meça cada parede em duas alturas diferentes e use a maior. Confira as duas diagonais do cômodo. Pergunte, para cada material, se ele consome projeção ou superfície, área ou metro linear. E veja no catálogo se o número publicado é o total ou o útil.
- Meça a mesma parede em duas pontas. Em casa antiga a diferença entre um canto e o outro chega a alguns centímetros, e quem manda no corte é a maior das duas.
- Tire as duas diagonais do cômodo. Se não baterem entre si dentro de um centímetro, o cômodo não é retângulo e o recorte vai crescer ao longo de uma das paredes.
- Decida se o material segue a projeção ou a superfície. Rampa e escada se dimensionam pela projeção no piso, telhado e revestimento de plano inclinado se compram pela superfície.
- Separe o que sai por área do que sai por contorno. Piso, tinta e forro saem por metro quadrado, rodapé e moldura saem por metro linear, com desconto de cada vão de porta.
- Procure a palavra útil no catálogo. Largura útil da telha, dimensão de fabricação do bloco e rendimento por demão da tinta são sempre menos generosos que o número da capa.
- Feche o pedido em embalagem cheia e compre tudo de uma vez. Piso, papel de parede e telha cerâmica variam de tonalidade entre lotes, e a caixa comprada depois não fecha com a primeira.
Entre todas, a que mais paga é a das diagonais. Custa dois minutos, não depende de catálogo nenhum e é a única que muda o modo de assentar, não só a quantidade a comprar.
Onde a conferência da medida para
Medida certa não substitui perda. Ela só faz a perda incidir sobre o número certo: os 10 % da Portobello sobre uma área subestimada continuam sendo 10 % de menos do que a obra precisa. Corte, reserva técnica e quebra de transporte entram depois, sobre a medida já conferida.
Nada disso é dimensionamento. Conferir quantitativo é aritmética sobre medida de trena, e para aí. Resistência de bloco, seção de viga, bitola de armadura e tesoura de telhado são projeto de engenheiro ou arquiteto habilitado. Erro de rendimento de produto também é outra família: quando o número do rótulo diverge do boletim técnico, o problema não está na sua trena, está em qual dos dois você usou como divisor.
Fontes
- ABNT NBR 9050:2015, emenda 1:2020, itens 6.6.2 e 6.8.2 Cópia publicada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Norte. Daqui saíram a equação da inclinação de rampa, que divide o desnível pela projeção horizontal, as Tabelas 4 e 5 de desnível por segmento e a faixa de piso e espelho da escada.
- Brasilit, Catálogo Técnico Telha Ondulada Traz a inclinação a partir de 5 graus (8,7 %) para as telhas de 6 e 8 mm, os 15 graus (27 %) indicados como inclinação mais recomendada, a largura útil de 1.050 mm contra a largura total de 1.100 mm e a tabela de recobrimento longitudinal de 140 mm a 250 mm conforme a inclinação.
- Portobello, calculadora de revestimento Onde a fabricante publica o acréscimo de 10 % sobre a metragem de piso, repartido em 5 % de perda com cortes e 5 % de reserva técnica.
- A.S. Création, Wallpapering tips Regra do rapport usada aqui: o comprimento da faixa dividido pelo rapport, arredondado para cima, dá o número de repetições por faixa. A mesma página registra 64 cm como o valor mais comum, impresso como primeiro número da etiqueta.
- Bobinex, ficha do papel Vinílico Essencial Ref 4315 Rolo de 0,52 m de largura por 10 m de comprimento, cobrindo cerca de 5,2 m². É o rolo usado no exemplo de papel de parede desta página.
- Pauluzzi Blocos Cerâmicos, catálogo de produtos Catálogo em que os blocos aparecem como 14x19x29 e 19x19x29, que são dimensões de fabricação. Nenhum item sai com 15x20x30, a medida modular pela qual o bloco costuma ser pedido no balcão.